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23/11/2020 00:00

Folha de SP| Folha de SP

Prioridade para pedestres é necessária em projetos de mobilidade urbana

A mobilidade tem se tornado, nas últimas décadas, o foco central de funcionamento e operação das cidades. Entretanto, por mais paradoxal que possa parecer, e embora a mobilidade seja estruturada para movimentar as pessoas nas áreas urbanas, em muitos casos, ela é calcada em veículos, e não existem nas cidades espaços adequados para aqueles que precisam se deslocar caminhando.

As zonas destinadas a pedestres não devem garantir apenas a circulação segura e confortável. Elas têm de configurar áreas que moldam as interações sociais e a qualidade de vida das pessoas em uma cidade. A prioridade do pedestre torna-se, assim, um elemento importante de planejamento urbano, que pode e deve ser associado a modelos de transporte, de preservação da natureza e de interfaces culturais.

Segundo o ITDP (Institute for Transportation and Development Policy), o planejamento urbano deve induzir modelos que aproximem as pessoas dos locais onde se desempenham as atividades diárias, possibilitando sua conexão por meio de caminhadas em ambientes seguros e vibrantes.

A mistura de atividades e serviços pode tornar as ruas ativas em vários períodos do dia ou da noite, tornando-as locais mais seguros e interessantes para caminhar. Amenidades ao longo dos passeios, como locais para descanso, sombra, iluminação e paisagismo, atraem mais usuários e tornam as calçadas locais mais animados. Do ponto de vista estrutural, as calçadas devem ser suficientemente largas para acomodar os fluxos de pessoas, limpas e desobstruídas. Devem estar conectadas a pontos de travessia seguros e acessíveis a todas as pessoas.

As cidades impulsionam a vitalidade por meio da interação entre pessoas, lugares e negócios e, dessa forma, a circulação de pedestres, cuja importância é vital para o desenvolvimento, deve ser tratada com prioridade.

A experiência de caminhar deve ser valorizada. O pedestre deve ter fácil acesso aos edifícios a partir das calçadas, bem como alcançar facilmente os diferentes modos de transporte. A preferência deve ser dada a escolares, idosos e pessoas com deficiências, procurando segregar, de maneira geral, os pedestres do tráfego veicular.

As características do deslocamento a pé devem ser consideradas ao se projetar estruturas para pedestres. De maneira geral, o tráfego de pessoas mais intenso é concentrado próximo a áreas de comércio e serviços. No entanto, os objetivos dos deslocamentos variam de acordo com o local e a hora do dia, com tendência de encurtar as distâncias das caminhadas o quanto for possível. Contudo, se o ambiente ao longo da caminhada for seguro, confortável e atraente, essas distâncias podem ser aumentadas.

As políticas de planejamento do uso do solo podem ser encaradas como um mecanismo de encorajamento das caminhadas. Por meio de políticas adequadas é possível promover cidades compactas e de uso misto, que mantenham curtas as distâncias de deslocamentos, em ambiente urbano amigável e sustentável. Maiores densidades populacionais significam maior quantidade de pessoas para apoiar e gerar escala para os serviços locais que podem ser alcançados a pé.

Criar cidades amigáveis aos pedestres pode indicar uma real evolução conceitual do tecido urbano, além de trazer muito mais interação e maior prazer em se deslocar nas comunidades locais.

As estratégias de mobilidade urbana devem ser construídas a partir de referências e padrões que promovam a caminhada como modo relevante na matriz de deslocamentos. A cultura da prioridade para o pedestre precisa ser introduzida nos preceitos fundamentais do planejamento, para que, dessa forma, seja possível construir modelos de desenvolvimento urbano compatíveis com uma sociedade mais feliz e saudável.

Claudio Bernardes - Engenheiro civil e presidente do Conselho Consultivo do Sindicato da Habitação de São Paulo. Presidiu a entidade de 2012 a 2015.



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