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30/08/2023 00:00

O Estado de SP| O Estado de SP

Prefeito quer fim dos trólebus na cidade de São Paulo

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que pretende eliminar os trólebus, ônibus com hastes ligadas à rede elétrica, porque o sistema é antigo e tem gastos de manutenção altos. O sistema conta com 201 veículos divididos em dez linhas. Com uma extensão da rede elétrica de contato de 168,42 quilômetros, o modal transporta 8 milhões de passageiros por mês. A medida já divide opiniões.

“Quero tirar aquilo lá. A gente gasta R$30 milhões de manutenção por ano porque é velho, é antigo”, disse Nunes à Rádio CBN. Para os que veem nisso uma medida acertada há a lembrança dos ônibus parados com motoristas tentando reconectar o veículo à fiação cada vez que as hastes se soltam. Mesmo nos trólebus mais novos, isso ainda pode ocorrer – além de custarem até o dobro de um ônibus normal.

Para os que pensam o oposto, vale lembrar que os trólebus, que começaram a rodar em 1949 em São Paulo, ainda são mantidos em países da Europa e nos Estados Unidos. Menores do que as baterias dos ônibus 100% elétricos, as dos veículos ligados à fiação representam também menores problemas de descarte final.

MANUTENÇÃO.

Apesar da intenção de Nunes, a Prefeitura já abriu uma licitação para escolher uma empresa responsável pela manutenção e melhorias na rede de alimentação dos trólebus. O sistema é composto por 24 estações transformadoras retificadoras (ETR) instaladas ao longo das vias. Nelas a energia é transformada e retificada para que possa ser utilizada na alimentação dos veículos. Entre outras obrigações, a empresa vencedora ficará responsável pelos cuidados com essa rede e com o centro de controle de energia, 24 horas.

“Precisamos avaliar os motivos. Qual o impacto desse modal hoje? É usado, por exemplo, de forma alternativa ao metrô, de forma complementar?”, indaga Max Filipe Silva Gonçalves, professor da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “O que ele traz de resultados?”, indaga. Um dos efeitos pode parecer menos importante, mas tem impacto evidente. “Uma grande vantagem é o ruído que os veículos a diesel fazem e o trólebus, não. Isso traz conforto para os moradores da cidade”, diz o professor.

Há ainda outra questão. Se as concessionárias – que operam as linhas por onde trafegam os cerca de 12 mil ônibus de São Paulo – devem eletrificar a frota gradativamente, por que não manter os trólebus? Para Luiz Carlos Néspoli, superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), os trólebus estão longe de ser uma tecnologia superada. “É um modelo totalmente equacionado e de conhecimento dominado.”

Para ele, também é preciso analisar os diferentes fatores e aspectos para que as decisões sejam tomadas corretamente. “O custo da operação, o impacto disso na saúde dos cidadãos, no meio ambiente, o valor contratual, tudo isso tem de ser pesado”, diz. 

Prioridade ambiental continua a ser a troca dos veículos a diesel

Desafio a vencer: Um ônibus a diesel é reabastecido em 15 minutos, um elétrico pode demorar três, quatro horas

O ponto principal a ser analisado é mesmo a adequação da capital paulista à questão ambiental. Segundo o prefeito Ricardo Nunes, que promete colocar nas ruas cerca de 2 mil novos veículos elétricos até o fim de 2024, 62% das emissões de gases de efeito estufa na cidade, principalmente dióxido de carbono (CO2) vêm dos cerca de 7 milhões de veículos que circulam por São Paulo. Metade disso é resultado da queima de combustível fóssil dos ônibus a diesel. Procurada, a Prefeitura de São Paulo afirmou, por meio da São Paulo Transporte (SPTrans), que “a prioridade e o que está sendo feito no momento é a substituição dos ônibus a diesel”.

Segundo o Executivo paulistano, até agora as empresas concessionárias apresentaram pedidos para a produção de 2.292 ônibus elétricos. “A previsão atualizada considera uma capacidade produtiva do mercado em atender a demanda existente. A meta da gestão é que 20% da frota seja composta por ônibus elétricos até o fim de 2024”, afirma a SPTrans. “A frota de trólebus é composta por 201 veículos, que serão substituídos, conforme a idade útil do veículo, por ônibus mais modernos. Cada veículo elétrico deixa de emitir anualmente 106 toneladas de CO2”, diz a nota.

PROCESSO EM MARCHA.

Para Luiz Carlos Néspoli, Superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), o processo de substituição de diesel por elétricos está em marcha, mas ainda terá grandes desafios e respostas a dar. “Não é fácil fazer a recarga de frota de ônibus elétricos em uma garagem na periferia da cidade. As concessionárias terão suas subestações, linhões diretos? Há uma infraestrutura que precisa ser instalada. Um ônibus a diesel é reabastecido em 15 minutos. Um elétrico pode levar três, quatro horas.” 



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