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20/05/2024 00:00

Diário do Transporte/ANTP| Diário do Transporte/ANTP

Pontos de ônibus flutuantes correm risco de virar pó em Londres

FÁTIMA MESQUITA, ESPECIAL PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE

Os chamados pontos flutuantes são velhos conhecidos de vários países europeus que o utilizam há muito tempo sem problema. E mesmo outras cidades do Reino Unido têm feito uso dessas paradas que ficam em uma faixa de calçada tendo, logo atrás, uma ciclovia.

O objetivo desse design diferente é evitar encontros diretos entre ônibus e ciclistas, garantindo assim um bom fluxo e ainda a segurança de quem pedala.

Mas isto quer dizer que o passageiro precisa atravessar a área destinada aos ciclistas para chegar ao ponto e ao ônibus. Do mesmo modo, quem desce do veículo tem que atravessar a pista dedicada às bicicletas antes de seguir para o seu destino pela calçada afora. E é essa travessia da ciclovia que tem causado furor na maior cidade inglesa -- mais de 270 entidades já assinaram uma petição organizada pela Federação Nacional dos Cegos do Reino Unido, a NFBUK, exigindo mudanças.

O que os números revelam

As estatísticas, porém, não têm ajudado muito aos que apoiam o fim dos flutuantes. Entre os anos de 2020 a 2022, 623 pedestres foram atingidos por ciclistas na cidade. Desse total, apenas quatro casos – 0.6% do total – tiveram como palco os tais pontos de ônibus com ciclovia nas costas. Por outro lado, no mesmo período, 11.400 pedestres e 15.000 ciclistas se machucaram após um cara-a-cara com veículos.

Apesar dos números, no entanto, alguns ativistas das bikes acham que é mesmo preciso levar em consideração a sensação de insegurança que alguns pedestres retratam. Mas que a solução passa longe de banimento dos flutuantes. O foco, para eles, deveria centrar-se em designs melhores, mais sinalização, campanhas educativas para todas as partes envolvidas e um bom diálogo com as entidades descontentes, lembrando sempre que a regra é clara: a prioridade é sempre para o pedestre, depois o ciclista e, enfim, os veículos motorizados, porque esta é a escala da fragilidade dos elementos.

A Tfl, por sua vez, garante que fez seu dever de casa, estudou bem o assunto e chegou à conclusão de que os flutuantes são seguros. Mas talvez fosse bom que ela se posicionasse melhor quanto ao tema passando a se comunicar mais e de modo bem consistente diante de uma crise com forte apelo midiático e que pode, sim, enterrar uma boa ideia e solução num piscar de olhos.

Para saber mais, baixe aqui o estudo Bus Stop Safety Review 2024 da TfL: https://content.tfl.gov.uk/bus-stop-bypass-safety-review-2024.pdf

Fatima Mesquisa - jornalista e escritora, editora do Podcast do Transporte, do ANTP Café e da Revista dos Transportespùblicos

 



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