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25/05/2023 00:00

Jornal da USP| Jornal da USP

"Projeto de revisão do Plano Diretor Estratégico de São Paulo só atende interesses privados", diz Nabil Bonduki

O relator do projeto de lei de revisão do Plano Diretor Estratégico de São Paulo, vereador Rodrigo Goulart, apresentou esta semana o seu substitutivo  ao projeto encaminhado pelo Executivo. Sobre isso, o professor Nabil Bonduki diz o seguinte: “Esse projeto é um verdadeiro absurdo, que altera profundamente as diretrizes de uso e ocupação do solo da cidade de São Paulo, amplia enormemente a faixa operada eixo de transporte coletivo de massa, que foi criada no Plano Diretor. Enquanto, no projeto original, essa faixa ficava restrita a um raio no entorno das estações de metrô e do corredor de ônibus, o que o vereador propõe é ampliar isso até um quilômetro no entorno das estações de metrô e até 450 metros nos corredores de ônibus”.

Para Bonduki, se esse projeto for levado adiante, praticamente todo o centro expandido de São Paulo ficará sujeito a uma verticalização sem limites. Mas os prejuízos para a cidade não param por aí, pois ele “cria uma zona que não tem o menor sentido, chamada zona de concessão, ou seja, todas aquelas áreas que a Prefeitura concedeu para o setor privado passam a ser consideradas uma zona que pode ter seu uso alterado, ou seja, áreas como o Pacaembu, como o Ibirapuera, como todos os cemitérios da cidade, como vários mercados municipais poderão ter seus usos e seus coeficientes totalmente alterados”.

O colunista entende ser  fundamental que se barre a possibilidade desse projeto, que é muito complexo, ser aprovado rapidamente pela Câmara Municipal, como pretende o presidente da Casa e toda a base governista. Segundo Bonduki, não tem o menor cabimento a população de São Paulo sofrer uma alteração tão profunda, numa lei tão importante como é a do Plano Diretor, sem conhecer o que efetivamente está se modificando. “Urge que vereadores preocupados com o futuro da cidade, entidades da sociedade civil, representantes da sociedade no Conselho Municipal de Política Urbana, movimentos sociais, acadêmicos, todos aqueles que querem uma cidade melhor, apresentem uma proposta alternativa a essa proposta apresentada pelo relator”, conclama o colunista.

“Não é possível que a cidade de São Paulo fique sujeita a um projeto que vai favorecer apenas o setor privado, sem se preocupar com o conjunto da cidade, sem se preocupar com a qualidade de vida. Nós, da Universidade, através do fórum SP 23, que reuniu entidades acadêmicas e profissionais, apresentamos um conjunto amplo de propostas de interesse da cidade. Essas propostas foram encaminhados ao relator, mas foram desconsideradas, enquanto que ele colocou no projeto aquilo que interessa apenas para o mercado imobiliário, ou seja, um projeto que amplia enormemente as áreas de verticalização na cidade, sem respeitar nenhuma questão que possa levar em conta o interesse cultural ambiental e urbano da população de São Paulo”, conclui Nabil Bonduki.


Cotidiano na Metrópole - professor Nabil Bonduki



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