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01/06/2024 00:00

Diário do Transporte| Diário do Transporte

Bogotá tem 127 km de vias fechadas aos carros a cada domingo e feriado

FÁTIMA MESQUITA, ESPECIAL PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE

Aos domingos e feriados, Bogotá fecha várias das suas vias principais das 7 às 14 horas, fazendo a capital colombiana virar um paraíso para pedestres, ciclistas e skatistas. A iniciativa, que hoje cobre exatos 127 km de ruas da cidade, tem sua origem em um protesto mundial organizado em 1974, mas cresceu mesmo foi com o tempo, ganhando mais corpo na década de 1990 e um novo impulso com a chegada da pandemia.

Batizada de Ciclovía, a iniciativa hoje movimenta em média 1,5 milhão de pessoas a cada edição, com gente que sai de casa não só para pedalar, mas também para  encontrar amigos, passear, comer nas barraquinhas ou dançar salsa ao ar livre. Os especialistas falam em aumento geral da qualidade de vida, com uma ampliação do sentimento de comunidade, melhoras na saúde física e mental e uma clara redução dos níveis de barulho e poluição.

Nos dias normais, o nível de material particulado presente no ar na via principal que atravessa Bogotá chega ao perigoso número de 65 µg/m3, enquanto nos dias de Ciclovía o índice cai para 5 µg/m3 no mesmo trecho, ficando assim dentro dos parâmetros recomendados pela Organização Mundial de Saúde, a OMS. Ao mesmo tempo, os níveis de ruído ficam sete vezes mais baixos.

Decisões sem continuidade

Diferente da continuidade observada em Bogotá, nas cidades brasileiras iniciativas semelhantes abrem e fecham ao sabor da vontade dos prefeitos desde a década de 1970, quando começou a se espalhar a ideia de Ruas de Lazer.

Já em 2016 sob a gestão de Fernando Haddad, foi criada em São Paulo uma das mais recentes reencarnações do conceito. Batizado de Ruas Abertas, a iniciativa chegou a ocupar 26 ruas da capital, com destaque para a avenida Paulista, e com a promessa de se espalhar por pelo menos uma rua de cada uma das 32 subprefeituras da metrópole. A meta, no entanto, jamais foi atingida e com a eleição de João Dória prefeito a iniciativa rapidamente encolheu.

Agora, na gestão de Ricardo Nunes, o Rua Abertas esticou suas pernas para a região da Liberdade, onde quatro ruas passaram a ficar livres dos carros aos domingos e feriados. Mas não demorou muito e veio a surpresa de uma diminuição do horário de funcionamento da medida, com o tradicional bairro japonês perdendo quatro horas e a avenida Paulista perdendo uma hora de funcionamento.

Na famosa Avenida São João no centro da cidade, um teste foi feito com sucesso em um domingo chuvoso de janeiro. O comércio local ficou em grande expectativa de uma rápida adoção permanente da novidade, mas a prefeitura encontrou resistência por parte dos fiéis e pastores de um templo da igreja Internacional da Graça de Deus que afirmam que gostariam de usar seus carros para chegar ao culto aos domingos e, por isso, ninguém sabe ainda o que acontecerá com a proposta.

Fátima Mesquita é jornalista, escritora, e editora do Podcast do Transporte e da Revista dos Transporte Públicos da ANTP



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