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14/11/2019 00:00

Folha de SP| Folha de SP

Empreiteiras gastam R$ 3 mi por mês com obra parada da linha 6 do metrô

Fabrício Lobel

Há mais de três anos as obras da linha 6-laranja do metrô foram paralisadas em São Paulo. Ainda assim, a manutenção dos equipamentos e monitoramento da estrutura já construída consome cerca de R$ 3 milhões ao mês, segundo o consórcio construtor Move São Paulo.

Nesta semana, o governo paulista anunciou a compra da parte da Move São Paulo no projeto da nova linha de metrô. A espanhola Acciona deverá assumir a construção, após a análise detalhada do governo João Doria (PSDB).

A linha 6-laranja ligará a Brasilândia (zona norte) à estação São Joaquim do Metrô (centro).

Nesta quarta-feira (13), o secretário estadual de transportes metropolitanos, Alexandre Baldy, representantes do Metrô, da Acciona e da Move São Paulo fizeram uma vistoria a um dos pontos de obra da futura linha de metrô.

Um dos pontos visitados foi o enorme fosso de mais de 30 metros de profundidade, aberto ao lado das pistas da marginal Tietê. O espaço deverá abrigar nos próximos meses (caso a compra da Acciona seja concretizada) o tatuzão responsável por fazer a perfuração dos futuros túneis do metrô, com cerca de 10 metros de diâmetro.

Em cada um dos lados do fosso, há uma marca no enorme paredão do que deverá ser a entrada do túnel. Na face mais próxima ao rio Tietê, outra marca aponta para um segundo túnel que deverá servir de estacionamento de trens, sob o rio.

Após três anos de obras paradas, o aspecto do lugar é de relativa limpeza e organização. Canos de PVC espalhados por todo o paredão captam a água que mina do solo escavado. As plantas que conseguiram crescer no entorno de algum desses pontos é um indicativo do tempo que a obra não avança.

Ainda assim, um sistema de bombeamento faz a drenagem dessa água e também da chuva duas vezes por semana.

Técnicos avaliam com instrumentos de medição, a cada mês ou mesmo semanalmente, se as estruturas se movimentaram. É esperado que elas se movam milimetricamente, mas alterações maiores do que isso podem ser preocupantes.

Os dois tatuzões (ou shields) contratados para a obra também têm uma manutenção específica. Técnicos da fabricante francesa NFM passaram cerca de um ano em São Paulo treinando técnicos a conservar devidamente o equipamento.

O tatuzão é uma máquina que ocupa cerca de 90 metros de extensão, quando devidamente montadado. Desde que chegou da China, está desmontado no canteiro de obras. Alguns de seus componentes têm que ser ligados regularmente, para não quebrarem.

Equipamentos elétricos recebem tratamento com um produto capaz de absorver qualquer umidade que pudesse comprometer os circuitos. Algumas máquinas como o centro de operação do tatuzão também são cobertos com lonas ou plásticos para não sofrerem com fuligem.

Como o canteiro de obra fica ao lado da marginal Tietê uma densa camada de poluição está acumulada em grande parte das estruturas metálicas que deverão revestir o tatuzão.

Outros equipamentos têm que passar por uma ainda que ser giradas ou terem seus óleos internos trocados.

Estima-se que quando a Acciona assuma a obra, demore ao menos quatro meses para que o tatuzão seja devidamente montado no fosso.

Os trabalhos exigem do consórcio construtor gastos de cerca de R$ 3 milhões ao mês. Ainda assim, com muita frequência há reclamações de vizinhos acerca do acúmulo de lixo e imóveis abandonados nos terrenos que deveriam ter obras.

As obras da linha 6-laranja paralisaram em setembro de 2016, após complicações do consórcio construtor em obter financiamento. As empreiteiras Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC Engenharia, que compõem o consórcio, foram envolvidas nas investigações da Lava Jato e passaram a não ter mais crédito para seus empreendimentos.

A Acciona negociou com essas empresas assumir o contrato de construção e operação da linha 6, que era firmado com o governo paulista. Nos próximos 90 dias, o governo paulista avaliará detalhadamente a compra do contrato para a Acciona e a capacidade técnica de tocar a obra e operar a linha.

ATRASO

Com 15 km de extensão e 15 estações, a linha 6-laranja foi apelidada de linha das universidades, por ter em seu trajeto sedes de instituições de ensino como PUC, Mackenzie e FAAP. O anúncio da linha foi feito ainda na gestão José Serra (PSDB), em 2008. Na época, a promessa era de que a linha já estaria em operação em 2012.

Na época, moradores de Higienópolis se organizaram para protestar pela presença do metrô. O termo "gente diferenciada" chegou a ser usado para descrever as pessoas que seriam atraídas por uma estação no tradicional bairro paulistano.

A assinatura do contrato de PPP (parceria público privada) só ocorreu em dezembro de 2013, quando a estimativa era de que a linha poderia funcionar parcialmente até 2018.

O consórcio vencedor não apenas faria a obra, como seria responsável pela operação da linha por 25 anos. A expectativa é de que isso tornaria o projeto mais atrativo à iniciativa privada, além de incentivar o término das obras. O custo total do empreendimento é de R$ 9,6 bilhões, dos quais R$ 8,9 bilhões serão divididos entre governo e o consórcio.?



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